sábado, 28 de dezembro de 2013


O medo.
O medo foi (ainda o é) o principal fator da sobrevivência das lideranças carismáticas alicerçadas na singularidade pessoal.
O medo limita as opções. O medo obstruí o pensamento. O medo diminui a liberdade!
O emergir de novas caras, de novos projetos no seio de uma organização constitui um processo normal, necessário mesmo!
E o medo? Como se dá a cara por um novo projeto quando se teme pela própria sobrevivência? Neste recanto insular o medo de assumir uma posição, o medo de colar-se a uma fação, o medo de se estar com uma tendência é real e nota-se claramente no trocar de olhares e outras manifestações não verbais.
Vencer o medo, afirmar a consciência, devolver a cidadania constitui o triângulo basilar da atual realidade política. Vamos a isso!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


VAMOS ANDANDO


Vamos andando.

Está é a invariável resposta que obtenho quando cumprimento alguém conhecido: Aquele cumprimento “Olá, como está?” recebe de imediato o desabafo “vamos andando”. Os mais religiosos ainda acrescentam “na graça de Deus!”.


Trata-se de uma resposta totalmente desconcertante pois não indica qualquer estado de alma ou disposição física própria do cumprimentado. Mas mesmo assim vejo-me obrigado a retorquir com um enfadado “pois é, lá vamos andando com a esperança que a coisa não fique pior”


E assim fica lançado o mote para uma troca de impressões sobre a atual realidade social e política, com especial incidência na malfadada crise, na incompetência dos políticos e na sua total incapacidade para apresentar e concretizar soluções credíveis e realizáveis. Daí, duas situações são possíveis: ou continuamos o nosso caminho com um evasivo “Então até à próxima. Cumprimentos lá em casa.” ou, caso haja disposição e um café por perto, um convite para uma bica (ou para uma jola) torna-se inevitável.


Já no café, a amena cavaqueira que começa na crise resvala invariavelmente para aquilo que se convencionou chamar de “corte e costura”. Nada nem ninguém fica a salvo. Cruelmente sincera, a cavaqueira corta nesta sociedade desordenada, injusta e incompleta. Do mesmo modo fulano e sicrano são expostos e referidos nas suas mais íntimas circunstâncias alimentando-se o pérfido boato e o terrível vilipêndio.


E isto tudo a propósito de irmos andando na graça de Deus!