segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Da solidariedade à ação.

“A Ideia de solidariedade à escala mundial pode mudar o mundo. A solidariedade não é apenas compaixão; é um sentimento de unidade e de responsabilidade comum. (…) Os nossos sonhos podem mudar a face do mundo, mas devem ser acompanhados de ações!”
Lech Walesa, 2005,Prémio Nobel da Paz

É sobretudo nos momentos de crise que a palavra “solidariedade” surge recorrentemente e de forma incisiva no reportório linguístico das nossas reflexões, ações e conversas. Constitui uma das formas de mostrarmos interesse em prestar auxílio a alguém manifestando, de algum modo, um sentimento de partilha do sofrimento alheio.

Esse sentimento solidário remete-nos para um conceito mais alargado de interdependência social. Com efeito, essa interdependência emerge do facto de todas as componentes sociais de uma cadeia terem necessariamente de agir solidariamente, porque dependem umas das outras e porque, a não ser assim, o risco de rutura social estaria eminente. Estamos, pois, em presença de uma óbvia situação de responsabilidade recíproca entre os elementos de organizações e da comunidade.

Na verdade, agir em solidariedade implica solidez e tem subjacente a ideia de união, ou seja, a convicção de que as pessoas tendem a agir em consonância perante um problema comum, porque ao partilharem interesses coletivos sentem-se parte integrante do mesmo sistema social.

Esse reconhecimento de que todos precisamos uns dos outros obriga, por outro lado, a ter consciência que nem todos temos as mesmas oportunidades, pelo que se torna imperioso que toda a ação concertada de solidariedade social integre medidas concretas de promoção da inclusão e de combate às desigualdades.

É por isso que se entende que as respostas solidárias aos problemas resultantes de situações de emergência social devem pautar-se por princípios elementares de justiça social, de modo a que os custos e responsabilidades sejam distribuídos equitativamente por todos. No caso dos recentes incêndios que afetaram a Região, foi este conceito de solidariedade concertada e ativa que esteve na base da planificação e concretização do vasto conjunto de respostas solidárias coordenadas pela Secretaria Regional da Inclusão e Assuntos Socias, e implementadas pelos diversos parceiros públicos e privados.

A ação concertada é obrigatoriamente a componente fundamental e indissociável da concretização no terreno de medidas solidárias. A solidariedade não se compadece com indiferenças e não pode ficar-se por atos isolados de simples fornecimento de meios e recursos. É necessário agir, é necessário fazer. É necessário participar concertada e ativamente nas ações planeadas para, depois, sermos capazes de, em conjunto, usufruir da plena satisfação de termos contribuído para o bem comum.


Rui Pereira de Freitas
(Crónica originalmente publicada no JM de 05-09-2016)
www.francelho.blogspot.com

domingo, 31 de julho de 2016


Conquistar a esperança

De repente, algures em 2011, Portugal acordou de um sonho. Nesse dia, descobrimos que o país estava à beira da bancarrota e que havia necessidade de estender a mão a quem nos podia ajudar. Chegou a “Troica” e com ela a recessão, o desemprego, os “cortes”, aumentos de impostos e uma panóplia de outras maldades, quase que a sugerir castigo à imprudência socrática do descontrole orçamental e à imbecil teoria de que “as dívidas não se pagam, gerem-se”.

A Madeira, Região Autónoma, não escapou a esse vendaval destruidor. Se era verdade que, momentos antes, nos sentíamos todos francamente abastados pelas bebedeiras da abundância, nesse despertar amargo para a nova realidade as coisas surgiram diferentes. Muito diferentes.
 De um momento para outro, o mar abundante das coisas úteis e inúteis simplesmente desapareceu. Transformou-se numa pequena poça onde apenas podíamos lançar a cana para pescar o estritamente necessário. Decididamente, findou-se o supérfluo e extinguiram-se os pequenos luxos.

A nova realidade socioeconómica surgiu de sopapo. Estalou-nos na cara com estrondo. Instintivamente procurámos culpados e soluções. Os protagonistas políticos deram-nos uns e apresentaram outras.

Por isso, foi naturalmente que em 2015 um novo ciclo político emergiu na Região: um novo governo sustentado num renovado partido e liderado por alguém que soube catalisar a esperança e apontar caminhos. Miguel Albuquerque foi ao mesmo tempo janela de esperança e pólvora catalisadora da mudança de paradigma da praxis política. Teimou em trazer o seu partido para junto das bases retirando-o da influência exclusiva da "nomenklatura", impôs a legalidade estatutária sobre a arbitrariedade então vigente e estruturou uma nova forma de ser e de estar na ação política onde o insulto estéril deu lugar à confrontação democrática e onde a cordialidade veio a se sobrepor à rude grosseria.

Passado pouco mais de um ano deste novo ciclo político, o processo de renovação da esperança dos madeirenses e porto-santenses mantêm-se inalterado e passa por um constante redescobrir de compromissos políticos amplos em torno de uma estratégia de desenvolvimento económico e social de médio prazo que, com base num diagnóstico sério e realista, evite um novo PAEF (Programa de Ajustamento Económico e Financeiro) e que ofereça a estabilidade e esperança que as famílias e empresas querem, aspiram e necessitam. Só reconquistando a esperança será possível fazer emergir, de novo, a confiança e estabilidade, ingredientes sine qua non para o crescimento do investimento e do emprego, crescimento esse que conduzirá a Região de regresso ao caminho da prosperidade.


Rui Pereira de Freitas
www.francelho.blogspot.com

sexta-feira, 4 de março de 2016

Plano de Envelhecimento Ativo em ação

Plano de Envelhecimento Ativo em ação

Plano de Envelhecimento Ativo em ação